domingo, 27 de novembro de 2011

ALBERTO GOLDIN - O Globo - coluna de 21/08/2011



"TENHO 30 ANOS, BONITA, INTELIGENTE, casei com um homem que me traiu com a ex-namorada, separei pois não confiava nele. Hoje namoro Julio, um homem interessante, bem-sucedido, carinhoso, separado, sem filhos. Até que vi um email para uma mulher, dizia que precisava vê-la e marcava um encontro. Terminei, ele se desculpou, eu voltei, mas um mês depois, vi um email para outra mulher e descobri que traiu sua ex-mulher. Terminei de vez.
Será que eu estar sempre desconfiada e investigando, até pelo que já me aconteceu no passado, é que eu estou sempre terminando? Ou será que pouco importa como eu sei das coisas e não sei lidar com traição? Seria mais feliz se não saber de nada? Meu maior sonho é ter uma família estruturada... Será que eu mesma estou impedindo que esse sonho se realize? E melhor que eu saiba agora, antes de casar, de ter filhos? Será que todas as mulheres procurassem achariam e nunca viveriam felizes com seus parceiros? Estou triste e sem companhia porque corri o risco de querer saber. Posso parecer uma louca ciumenta, eu não era assim, não sei se minhas atitudes são causa ou conseqüência, até eu ver os emails era um relacionamento maravilhoso.
Nina"

A Internet mudou o planeta, o tornou mais pequeno e transparente. Mais pequeno, porque Leblon, Uruguai ou China estão ao mesmo “click” de distância e mais transparente, porque a privacidade, com seu manto de discrição, agora está exposta em emails, celulares ou redes sociais. A intimidade se tornou pública... Reconheço que a Internet casou muita gente, porém também separou, expondo detalhes íntimos da vida privada que hoje estão – e estarão para sempre – na Rede a um click da curiosidade alheia. A singela frase da Nina “Descobri que Julio enganava sua ex-mulher...” é estarrecedora. Nina retirou do passado um episódio que possivelmente o próprio Julio já esqueceu... Um Juízo Final cibernético atualiza, em tempo real, os pecados dos usuários...
Vozes irritadas me interrompem, dizem que se as pessoas fossem corretas, não haveria problemas, não podemos culpar o mensageiro pelo conteúdo da mensagem. O que é realmente grave, afirmam, é a falta de caráter e seriedade nos compromissos amorosos, as promessas falsas e contraditórias de namorados e maridos... As vozes têm razão, porém me atrevo a refutá-las argumentando que a tecnologia não modificou a essência humana, só a colocou em evidência.
A infidelidade, gostemos ou não, sempre existiu, muitos infiéis de ambos os sexos foram punidos com separações que não desejavam, outros infiéis saíram impunes reforçando o amor pelos seus parceiros. Alguns se arrependeram amargamente por terem perdido o amor da sua vida, outros continuaram infiéis, sem maiores consequências. Paixões repentinas, traições esporádicas, casos inesperados, fantasias escandalosas são material frequente em consultórios psicanalíticos e grande parte destes “desvios”, antes da Internet foram elaborados na terapia sem citar detalhes constrangedores, sem outro julgamento ou castigo que a própria consciência do traidor. Erraram ou acertaram, pecaram, sentiram culpa ou não, porém todos, sem exceção, aprenderam algo da comédia humana antes que a exposição da Internet as transformasse em tragédia.
A Justiça não admite como prova escutas ilegais, contudo a justiça doméstica não se importa com esse detalhe... Foi assim que a Nina perdeu seus dois parceiros, ambos infiéis... Não estava disposta a tolerar o engano, mas as provas documentais, a hora exata do crime, as declarações escritas para suas amantes foram cruas e cruéis demais para imaginar um retorno.
Imagino que uma discussão prolongada e honesta, mesmo que menos documentada, teria outro final...
Reconheço e afirmo que o verdadeiro responsável pelo desastre é a confusa condição humana que, em ambos os sexos não renuncia ao prazer sexual, nem à curiosidade mórbida. Traição e ciúmes se complementam, uns não deveriam pular a cerca, nem os outros entrar na privacidade alheia. Agora somos realistas e vemos que o Rei está nu, on-line e participa de filmes pornôs. Nina e Eva (mulher de Adão) deixaram o Paraíso por saber demais. Ignorar é burro, saber é perigoso e triste. É possível que a humanidade, com o avanço tecnológico esteja migrando em direção a uma nova moral, parecida com a antiga, onde toda traição será flagrada e toda curiosidade atendida, ou seja, um mundo ideal e linear, radicalmente honesto, sem comédias, nem tragédias. Um tédio.
Dr. Alberto Goldin
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THE BOLSHOI BALLET - Spartacus & Phrygia - 2008 - HD

Veja em Alta Definição

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sábado, 26 de novembro de 2011

BOB JAMES, NATHAN EAST, JACK LEE - Angela


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CIDADE NEGRA - Onde Você Mora - (Acústico MTV)

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ANA CAROLINA DECLAMA - SÓ DE SACANAGEM






PEDRO BIAL - Escolhas de uma Vida

A certa altura do filme Crimes e Pecados, 
o personagem interpretado por Woody Allen diz:
 "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...
Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. 

Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. 
A escolha é sua...!