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sábado, 13 de outubro de 2012

THALITA REBOUÇAS - Aconteceu comigo

Numa tarde daquelas mornas, sem sal nem açúcar, chegou o tweet solar, cheio de alegria e sorrisos, vindo da Isabelle Drumond, linda e talentosa atriz/boneca, que tive o prazer de entrevistar nos meus tempos de Vídeo Show. Apesar da admiração que tenho por ela e do nosso contato “projaquiano”, nunca troquei telefone com ela. Mesmo assim sua mensagem dizia: “Ei, linda! Me liga! Tô tentando seu rádio e não consigo! Bj!”.

E assim eu, que não tenho rádio, descobri que estava sendo vítima de uma twittada fake. A Isabelle Drumond em questão era falsa, falsinha da Silva. O mesmo aconteceu quando Mayana Neiva, atriz que só conheço da televisão, se meteu numa conversa entre mim, Ana Lima, Suzana Pires e Leo Jaime. Tentávamos, como bons cariocas, marcar o chope que nunca sai quando ela se meteu na conversa para teclar: “Tô dentro! Saudade de vocês!”. E eu comigo: “Saudade de mim?! A mulher nem me conhece!”. Fake. Fake, fake, fake.

Nunca entendi esses perfis falsos. Entendo os falsos que se dizem falsos. “Sou um admirador do fulano e por isso criei um perfil fake”. Ok. Ou melhor, mais ou menos ok. Mas quando uma pessoa se apodera da identidade de outra e conversa com seus amigos virtuais como se fosse a pessoa que ela finge ser (ui! Ficou confuso? É confuso, eu sei. Perdão, leitores não conectados), aí o buraco é bem mais embaixo, como diria minha avó.

Sempre indignada com a cara de pau dos fakes e a facilidade (e o prazer) que eles têm de enganar as pessoas de boa índole, segui meu caminho nas redes sociais quietinha, divulgando eventos, compartilhando fotos, vídeos, desabafando e dividindo, como pede a cartilha dessas redes. O problema é que aconteceu comigo. Uma pessoa que garantia ser eu criou uma página no Facebook onde conversava com fãs usando internetês (coisa que eu abomino) e (meu Deus!) combinava piqueniques (isso! Piqueniques!) com meus leitores (que, vale lembrar, têm entre 9 e 16 anos, em sua maioria). Pior! A Thalita falsa ainda acusava a verdadeira aqui: “Gente, ela é falsa, não acreditem nela! Se ela continuar eu vou sair daqui. Não consigo lidar com tanta mentira”. Como diria a minha Malu, fala sério!

Avisada por uma leitora atenta descobri o perfil, que já tinha mais de três mil amigos, e senti raiva e preocupação com os que acreditavam estar falando comigo — e ainda medo do perigo que eles poderiam estar correndo. Em meus pensamentos, imaginava o pior. Podia ser um pedófilo, um desocupado, um bandido, ou só uma pessoa com um sonho muito grande de se tornar escritor. Pelo sim, pelo não, resolvi me mexer. Acionei o Facebook, pedi a ajuda dos meus leitores (e fiéis escudeiros) e a página foi, depois de alguns dias, retirada do ar.

Todo esse episódio me deixou a pensar. Como era mesmo a relação entre leitores e escritores antes da internet? Ah, as pessoas escreviam cartas, as bisavós dos emails. Aliás, acredite, emails também já são considerados antigos. Como diz a filha de um amigo meu, “Você ainda manda email? Email é coisa de velho”.

E tem mais: quem mandava uma carta para um autor, ator, apresentador, cantor ou jogador de futebol não tinha sequer como confirmar se ela tinha chegado ou se o destinatário tinha lido, só restava torcer para que ele um dia respondesse.Hoje, todo mundo que me manda emails ou mensagens por redes sociais espera uma resposta — e ela tem que ser rápida, se não imediata. Recebo mais de 100 emails por dia e leio todos, mas se eu respondesse a cada um com a atenção que todo leitor merece não teria tempo para mais nada, muito menos para escrever livros. A maioria dos leitores entende isso, mas alguns ficam chateados e até mesmo agressivos. “Por que você não me responde? Você é simpática só nas entrevistas, na vida real é uma vaca!”. Sim, já li coisas do tipo. Daí pra baixo.

Resumindo, ser conectado hoje em dia é bom, mas é ruim. Ou é ruim, mas é bom.
Pode escolher.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

THALITA REBOUÇAS - Uma descarga de criatividade

Na próxima vida, está decidido: vou gostar de berinjela, saberei fazer mais que ovo frito e pipoca de microondas e serei arquiteta de banheiros. Sou meio aficionada pelo assunto banheiro, confesso. E me sinto entendida, apta a opinar, criticar, desenvolver uma extensa conversa sobre o tema. Então vamos lá!

A verdade é que muitos banheiros têm me irritado ultimamente. Tudo bem um banheiro querer ser mais que um banheiro, querer ser um banheiro memorável, um banheiro tchanã. Mas, por mais moderninho, fofinho e descoladinho que seja… banheiro é banheiro! Pode até ser lindo, mas tem que ser prático (palavra fundamental quando o assunto é banheiro) e ter a luz boa pra gente se achar deusa na frente do espelho. Só isso.

Mas os arquitetos parecem não concordar comigo. Por exemplo, quem inventou som ambiente para banheiros? Desconcentra, povo! É passarinho piando, é cítara superzen, é barulho de mato, é lounge modernoso… Para! E banheiro que fala? Pensa que não existe? Em São Paulo, uns meses atrás, fui a um que me deu boas-vindas. Levei um susto, parei os trabalhos na hora e saí correndo. Eu lá sou mulher de bater papo com banheiro? Era só o que faltava!

Outro banheiro que me irrita é o que tem cheirinho. Ô, gente, não inventa de botar cheirinho de florestinha falsa nos banheiros! É enjoativo, é desnecessário, é… é ruim! Também não suporto banheiros rudes, que me deixam no breu. De repente, do nada, a luz se apaga. É como se ele dissesse: “ok, seu tempo acabou. Próximooo!”. Resumindo: é um banheiro agressivo, um banheiro mal-educado, um banheiro sem coração. Cadê a delicadeza, povo? É o usuário do banheiro que decide a hora de sair. Mais que isso: é o xixi do usuário do banheiro. Sem contar que me sinto ridícula balançando os braços na escuridão, como se estivesse fazendo uma “hola”, para que a luz volte. Tudo bem, temos que economizar energia, mas não estamos participando de um campeonato mundial pra consagrar o dono do xixi mais rápido.

Ah, tem uma coisa que eu acho linda: não precisar tocar em descargas e torneiras. Pedal é tudo na vida de um ser humano. É limpinho. É higiênico. É chique. É luxo. Mas os avisos de que o banheiro em questão tem pedal deveriam ser colocados, em letras GARRAFAIS, em um lugar onde as pessoas consigam ler assim que entram. Caso contrário a gente fica feito idiota procurando a torneira da pia e a descarga. E se sente idiota quando lê o tal aviso. E mais idiota por não ter lido antes. E sai do banheiro irritado. E com cara de idiota, o que é pior.

Outra coisa: nada me faz sentir mais estúpida do que ficar parada em frente a duas portas, tentando decifrar qual símbolo-maluco-de-artista-badalado determina qual banheiro é o feminino. Na boa, um H de Homem e um M de Mulher não fazem feio. Juro!

Enfim, banheiro é banheiro. Nota 10 para os bem iluminados, com proteção de plástico que gira no vaso (ou aquele papel para forrar, tanto faz), papel higiênico macio (ralador de bunda neeem pensar!) e bem posicionado, ao lado ou na frente do vaso, nada que exija contorcionismo e… voilà! Eis um banheiro bacanudo. Menos é mais. Como diriam meus leitores adolescentes, menos é mais messssmo.


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