terça-feira, 3 de janeiro de 2012

VANESSA DA MATA– AO VIVO - Um Dia, Um Adeus - com letra

Existem pessoas mágicas que dão um novo e belo sentido a tudo que tocam. 
Transformando tudo em sua volta numa explosão de primavera.


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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MÁRCIA TIBURI - O mistério da corrupção

A tradição teológica e filosófica nunca conseguiu explicar o “mistério da iniquidade”, a existência do mal como potência do desejo e da ação humanas.
Ora, a corrupção é o mal do nosso tempo. Curiosamente, ela aparece como uma nova regra de conduta, uma contraditória “moral imoral”. Da governalidade aos atos cotidianos, o mundo da vida no qual ética e moral se cindiram há muito tempo transformou-se na sempre saqueável terra de ninguém.
Como toda moral, a corrupção é rígida. Daí a impossibilidade do seu combate por meios comuns, seja o direito, seja a polícia. Do contrário, meio mundo estaria na prisão. A mesma polícia que combate o narcotráfico nas favelas das grandes cidades poderia ocupar o Congresso e outros espaços do governo onde a corrupção é a regra.
Mas o problema é que a força da corrupção é a do costume, é a da “moral”, aquela mesma do malandro que age “na moral”, que é “cheio de moral”. Ela é muito mais forte do que a delicada reflexão ética que envolveria a autonomia de cada sujeito agente. E que só surgiria pela educação política que buscasse um pensamento reflexivo.
Pobre, mas honesto
O sistema da corrupção é composto de um jogo de forças do qual uma das mais importantes é a “força do sentido”. É ela que faz perguntar, por exemplo, “como é possível que um policial pobre se negue a aceitar dinheiro para agir ilegalmente?”
O simples fato de que essa pergunta seja colocada implica o pressuposto de que uma verdade ética tal como a honestidade foi transvalorada. Isso significa que foi também desvalorizada.
Se a conduta de praxe seria não apenas aceitar, mas exigir dinheiro em troca de uma ação qualquer na contramão do dever, é porque no sistema da corrupção o valor da honestidade, que garantiria ao sujeito a sua autonomia, foi substituído pela vantagem do dinheiro.
Mas não somente. Aquele que age na direção da lei como que age contra a moral caracterizada pelo “fazer como a grande maioria”, levando em conta que no âmbito da corrupção se entende que o que a maioria quer é “dinheiro”.
Verdade é que a ação em nome de um universal por si só caracteriza qualquer moral. É por meio dela que se faz o cálculo do “sentido” no qual, fora da vantagem que define a regra, o sujeito honesto se transfigura imediatamente em otário.
Se a moral é medida em dinheiro, não entregar-se a ele poderá parecer um luxo. Mas um contraditório luxo de pobre, já que a questão da honestidade não se coloca para os ricos, para quem tal valor parece de antemão assegurado.
Daí que jamais se louve nos noticiários a honestidade de alguém que não se enquadra no estereótipo do “pobre”. Honesto é sempre o pobre elevado a cidadão exótico. Na verdade, por meio desse gesto o pobre é colocado à prova pelo sistema. Afinal ele teria tudo para ser corrupto, ou seja, teria todo o motivo para sê-lo. Mas teria também todo o perdão?
O cidadão exótico – pobre e honesto – que deixa de agir na direção de uma vantagem pessoal como que estaria perdoado por antecipação ao agir imoralmente sendo pobre, mas não está. A frase de Brecht seria sua jurisprudência mais básica: “O que é roubar um banco comparado a fundar um?”.
Ora, sabemos que essa “moral imoral” tem sempre dois pesos e duas medidas, diferentes para ricos e pobres. No vão que as separa vem à tona a incompreensibilidade diante do mistério da honestidade. De categoria ética, ela desce ao posto de irrespondível problema metafísico.
Pois quem terá hoje a coragem de perguntar como alguém se torna o que é quando a subjetividade, a individualidade e a biografia já não valem nada e sentimos apenas o miasma que exala da vala comum das celebridades da qual o cidadão pode se salvar apenas alcançando o posto de um herói exótico, máscara do otário da vez?
Marcia Tiburi

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TWITTER É USADO PARA TESTAR PARANORMALIDADE


O psicólogo Richard Wiseman encarnou um James Randy e saiu pelo mundo digital atrás de provas de paranormalidade. O britânico convidou voluntários e pessoas que alegavam ter poderes psíquicos a seguir seu twitter. Wiseman então se dirigia a um local secreto (no mundo real) e pedia aos seguidores que tentassem descrever onde estava, tudo por meio do Twitter. Depois, ele enviava fotos de cinco lugares diferentes para que os participantes votassem na locação verdadeira. A mais votada seria escolhida. O que, segundo o professor, seria prova suficiente para atestar a paranormalidade dos voluntários.
Resultado: em nenhuma das ocasiões o grupo acertou seu paradeiro. E olha que mais de mil pessoas participaram da experiência. Para Wiseman, a grande sacada não foi ter provado a incapacidade paranormal das pessoas, mas sim ter conseguido fazer um estudo por meio do Twitter. 
Nina Weingrill

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PESQUISA "PROVA" QUE TEMOS A HABILIDADE DE PREVER O FUTURO

Passado, presente, futuro
Ponto para a Mãe Dináh: temos sim a habilidade de prever e influenciar eventos futuros antes que eles aconteçam – só não temos total consciência disso.

Ao menos é o que aponta um novo estudo, feito pelo psicólogo Daryl Bem, da Universidade de Cornell, em Nova Iorque (EUA).
Como o cara “provou” isso? Ele conta que conduziu nove diferentes experimentos que envolveram mais de mil voluntários. E todos, tirando um, apontaram para a existência de poderes psíquicos. Um dos testes teve três etapas: na primeira, estudantes receberam uma lista de palavras para memorizar – as quais tiveram que, na segunda etapa, recordar uma por uma em voz alta. Na terceira parte, receberam uma nova lista, agora com apenas algumas das palavras da seleção original, e tiveram que digitá-las. O indício de que eventos futuros já estariam gravados no inconsciente dos voluntários foi que eles se lembraram com mais facilidade, na segunda etapa, justamente das palavras que só depois teriam que digitar.
Em outro experimento, os participantes observaram uma foto de duas cortinas e tiveram que responder, pouco antes de ouvir a resposta, atrás de qual delas havia uma figura erótica escondida. Segundo o pesquisador, eles escolheram a cortina correta “com mais frequência do que pode ser explicado pela coincidência”.
E aí, será? O site New Scientist, o primeiro a contar para a gente sobre o estudo (que permanece inédito, mas deve ser publicado no Journal of Personality and Social Psychology até o fim deste ano) consultou um outro psicólogo, o americano Joachim Krueger, para saber o que ele achava do resultado. O especialista deu a resposta previsível: que afirmar que os humanos têm poderes psíquicos é “ridículo”. Mas, dito isso, admitiu que examinou toda a metodologia do estudo e que “francamente, tudo parece estar no lugar certo”.
Thiago Perin 

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AS 10 RESOLUÇÕES DE ANO NOVO MAIS POPULARES DO MUNDO


Ano termina, ano começa e as pessoas se jogam nas listinhas (ou listonas) de resoluções pros próximos 365 dias: coisas a mudar, coisas a fazer, coisas a parar de fazer, coisas possíveis e impossíveis. Boa parte delas, convenhamos, improvável: nem precisa de ciência para saber que a gente acaba não colocando em prática vários dos itens que entram na seleção de “novidades” para o novo ano. Alguns, seja lá qual for a desculpa, ficam para o próximo; outros, nunca saem do “quem sabe um dia?”. Mesmo assim, o pessoal do site 43things.com abriu uma pesquisa – na qual já palpitaram mais de oito mil pessoas – para compilar as resoluções de ano novo mais populares entre a galera. Até agora (a pesquisa continua aberta, então você pode passar lá também e votar), o top 10 está assim:
1. Perder peso (1.470 votos)
2. Comer, beber, aprender ou tentar algo novo (999 votos)
3. Guardar dinheiro (909 votos)
4. Ser feliz (890 votos)
5. Definir uma meta atlética acessível, tipo correr 5 ou 10 km (822 votos)
6. Se apaixonar (695 votos)
7. Tirar fotos em todos os dias do ano (659 votos)
8. Arranjar um emprego (652 votos)
9. Ler mais (620 votos)
10. Parar de fumar (452 pessoas)
E aí, algum destes itens está entre as suas resoluções? Senão, o que entrou na sua lista?
Thiago Perin


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DESVENDADO MISTÉRIO DO FILME "OS PÁSSAROS" DE HITCHCOCK

Gaivotas que inspiraram filme foram envenenadas pelo ácido domóico
LONDRES - Demorou 50 anos, muito menos do que a duração de um de seus mais famosos filme de suspense, mas o mistério mais duradouro de Alfred Hitchcock parece ter finalmente sido desvendado. Cientistas da Universidade do estado da Lousiana, nos Estados Unidos, anunciaram a razão pela qual milhares de gaivotas cometeram suicídio em toda a costa nordeste da Califórnia no verão de 1961. Uma equipe de biólogos marinhos explica que os animais foram envenenados.
A misteriosa morte das aves entre casas da Baía de Monterey, no Sul de São Francisco, foi uma das maiores inspirações para o filme de Hitchcock de 1963 “Os pássaros” (The Birds). Agora, Na última edição da revista “Nature Geoscience”, os pesquisadores afirmaram que o estômago das gaivotas e de tartarugas coletadas naquele período tinha quantidades incomuns de uma toxina que causa danos ao sistema nervoso chamada de ácido domóico.
Esta toxina provavelmente veio de anchovas e lulas que teriam sido ingeridas pelos pássaros, uma vez que fazem parte da dieta deles, causando danos no cérebro das gaivotas. Em situações mais severas, o ácido domóico deixaria as aves confusas, levando a convulsões e morte.
Sibel Bargu, que coordenou a pesquisa, explicou que a substância foi encontrada em 70% dos plânctons ingeridos pelas anchovas e lulas. Depois de um curto período, a toxina poderia ter chegado a concentrações fatais para os predadores que as ingeriram.
Apesar desta teoria já ter sido citada como uma explicação potencial para a mortandade de gaivotas de 1961, Bargu afirma que não havia provas diretas, obtidas agora pelos cientistas.
- As amostras de plânctons de 1961 estavam contaminadas por um toxina – escreveu a pesquisadora Bargu. - Esta toxina foi responsável pelo frenesi de pássaros que motivou o filme de Hitchcock.
As cenas da morte dos pássaros em 1961 foi testemunhada por Hitchcock. Para rodar o filme, ele ainda a aproveitou o livro escrito por Daphne du Maurier chamado “The Birds” (Os pássaros).
Uma contaminação similar já causou a morte aves na mesma área, nos anos 1990. Além disso, em 1989, houve a descoberta de que o ácido domóico havia contaminado mexilhões e causado a morte de quatro pessoas na Ilha de Prince Edward, no Canadá.
Porém, ainda reina uma incerteza: qual teria sido a causa das toxinas no mar. A principal teoria é que pesticidas teriam sido carreados para o mar vindos de uma fazenda. Além disso, pesquisadores dizem que houve um boom imobiliário naquela área justamente naquele período. Portanto, há a hipótese de que o esgoto domiciliar também possa ter sido o responsável pelo envenenamento.

CHICO ANYSIO - SILÊNCIO, HOSPITAL!

Nos primeiros tempos de casamento ele aparentava uma saúde de ferro mas, de uns anos pra cá, mostrava-se tão frágil, tão suscetível às doenças, que Dona Belinha, sua esposa, intranqüilizava-se cada vez mais.
— Qualquer coisinha o Pirilo hospitaliza-se — choramingava às amigas. — Tão frágil, tão doentinho...
E assim era. Por um simples sintoma de gripe ou resfriado, o Pirilo pegava um pijama, escova de dentes, pente e chinelos, metia-os numa maleta branca e hospitalizava-se.
— O que é que você tem, Pirilo? — perguntava a esposa preocupada, vendo o marido fazer a mala para mais uma ida à casa de saúde.
— Nada, minha velha.
— E se não tem nada, por que você vai para o hospital, Pirilo? — insistia Dona Belinha, mais preocupada do que nunca.
— Com saúde não se facilita. Não tenho nada agora, mas estou esperando uma gripe de uma hora para outra.
E se internava por quatro, cinco dias. Proibia as visitas e não aceitava flores ou maçãs. "Se eu morrer, não quero ninguém no velório. Na doença e na morte, longe os parentes", era a teoria que defendia e a que a família obedecia.
— Chama-se isso de hipocondria — explicou um médico a quem Dona Belinha secretamente visitou:
— Hipocondria?
— É uma ansiedade habitual relativa à própria saúde — decifrava o médico. — É muito comum, um caso assim. Há pessoas que não vivem sem tomar remédio. Seu marido é um caso desses. Só que em estado mais grave, porque ele chega a ir para o hospital. Mas não se preocupe. Os hipocondríacos são os que vivem mais.
— Isso pega, doutor? — inquiriu Dona Belinha, quase desejando que sim, para poder acompanhar o marido, de quem sentia muita falta, durante os dias de nosocômio.
— Pegar, não digo, mas quem convive com um hipocondríaco, sendo de espírito fraco, pode-se contagiar por esta mania.
E ela muito rezava e pedia que lhe fosse dado este contágio.
— Belinha, traz a mala.
— Pra onde você vai, Pirilo?
— Vou-me hospitalizar.
— O que é que você está sentindo?
— Hoje, fazendo as unhas, tirei sangue da cutícula. Isso pode infeccionar, dar tétano, gangrenar, sei lá. Com saúde não se brinca.
E, de mala branca na mão e infalível chapéu preto à cabeça, lá ia o Pirilo para o Hospital dos Estrangeiros, onde tinha conta corrente (pagava por semestre) e apartamento quase fixo.
— O apartamento de sempre, Sr. Pirilo? perguntava a enfermeira, como se aquilo fosse um hotel.
— Não. Desta vez quero um no terceiro andar, com vista para a encosta.
E por uma semana, muitas vezes, curtia o seu hospitalzinho, de camisola e tudo, com exames de pressão arterial, termômetros sob a axila, colheita de urina, sangue, fezes, escarro, etc. Uma semana depois, sentindo-se recuperado, voltava ao seio da família, dizendo-se outro homem.
Ao mesmo tempo em que os filhos cresciam, desenvolvia-se a hipocondria do Pirilo, que se internou pelos motivos mais burlescos, de tão banais: furúnculo, cisco no olho, mau jeito no braço, aerofagia, topada.
A conselho médico a mulher nem tocava mais no assunto, tentando meter na cabeça do marido que ele não sofria de coisa alguma ("Isso pode piorar, porque ele fica irritado e..."). Ao ver Pirilo chegar e entrar em casa sem tirar o chapéu preto, a mulher já sabia que era caso de hospital. E, por conta própria (disso o médico não teve culpa), já até colaborava com a hipocondria do marido.
— Não está passando bem, Pirilo?
— Ainda bem que você notou. Hoje arrotei duas vezes, depois de tomar uma Coca-Cola. Faz a mala.
E o pijama, com pente, chinelo e escova de dentes, era enfiado na mala branca que Pirilo conduzia ao Hospital dos Estrangeiros, onde era mais conhecido do que muitos dos médicos que lá operavam ou davam plantão.
— Terceiro andar, para a encosta?
— Segundo andar, de frente.
— 214 — informava a enfermeira, dando-lhe a chave.
Tantas foram as vezes que Pirilo se internou que, ultimamente, já ia sozinho da portaria para o quarto. Ir uma enfermeira com ele para quê, se ele conhecia os corredores e apartamentos mais do que a maioria delas? De hospital, ele dava aula. E era um custo para aceitar a alta do médico.
— Pode ir embora hoje, Sr. Pirilo.
— De jeito nenhum. Antes de quinta-feira ninguém me tira daqui.
— Mas o senhor já está bom. Os gases...
— Os gases acabaram, mas... e essa unhazinha?
— Que tem a unha? — perguntava o médico, segurando-lhe a falange do pé que Pirilo lhe exibia.
— Repare na unha, veja bem.
— Está bem.
— Ora, doutor, enganar ao Pirilinho? A unha está encrava, não encrava. Antes de quinta-feira eu não saio, a não ser que a unha se resolva.
De tanto Pirilo se ausentar para os hospitais, apareceu um arquiteto desquitado com ótimos planos e projetos para Dona Belinha com os quais ela concordou, de tanta distância que já sentia do marido hipocondríaco.
Saiu ganhando, pois amava agora um homem formado, enquanto Pirilo continuava amante de uma ajudante de enfermeira do Hospital dos Estrangeiros, que um dia dava plantão no terceiro andar, de frente para a encosta, no outro dia no segundo andar, de frente para a frente...
Os hipocondríacos merecem cuidados!
Chico Anysio

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