segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CLAUDIA PENTEADO - Generosidade, muito prazer

Generosidade é um conceito nem sempre muito claro e incrivelmente complexo na hora de ser posto em prática. Ela começa por aceitar a minha própria história, repleta de fraquezas e falhas – e encontrar nela as coisas boas, que me trouxeram até aqui com dignidade. Aceitar a própria história, já li numa crônica da Eliane Brum, é um desafio desmedido e libertador. Nos faz aceitar a idade que chega, e ver brilho nela e no futuro. Tem me feito encontrar a riqueza de ser o fruto – bom – de tudo o que vivi e das escolhas que fiz, inclusive as “erradas”. Outro tipo de generosidade é estar verdadeiramente aberto a cuidar do(s) outro(s). Eu me achava a pessoa mais generosa do mundo até que decidi construir uma nova família.

Estar disponível emocionalmente para isso não é simples. Encontro, diariamente, novas oportunidades de expandir o espaço no meu coração para “cuidar” desse novo núcleo familiar que escolhi. Eu – que, imagine só, já fui casada por 15 anos – achava que sabia tudo sobre casamento e cuidar de uma família. Depois de algumas cabeçadas, devo dizer que há um imenso encanto nisso: em não saber, em ficar meio perdido e ter de buscar novas ferramentas internas para construir uma nova história e cuidar de um novo amor. E, neste meio tempo, porque não, me tornar uma pessoa um pouco melhor.

Este aprendizado é o grande presente que me dei nessa minha nova fase de vida. Uma fase cercada de verde por todos os lados, tucanos, saíras, gambás, luar por entre as folhagens, um jardim cheio de flores incrivelmente belas, cheiro de lavanda, vazamentos e boilers que pifam, paredes que dão bolhas, cheiro de citronela pra espantar (muitos) mosquitos, e a permanente brisa fresca da novidade e do amor verdadeiro. Dentro da minha carteira, guardo comigo uma frase que ganhei de uma amiga e que diz: escolhas são compromissos de amor com o caminho. É isso.


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