terça-feira, 7 de maio de 2013

A SÍNDROME DO NINHO VAZIO - Solange Bittencourt Quintanilha

Toda família conhece a história. Os filhos crescem e em determinada idade deixam a casa dos pais para construir uma vida independente. Na casa que antes era cheia de vozes, o silêncio passa a reinar. Não tem como evitar, este é o ciclo da vida. É comum o casal ter muita dificuldade para lidar com essa mudança, e é nesse momento que surge, o que chamamos de “Síndrome do Ninho Vazio”.

Ela se caracteriza pelo sentimento de solidão, vazio, tristeza, irritação e depressão que muitos pais sentem com essa nova fase da vida. Embora muitos pais sejam também afetados, é uma fase complicada principalmente para as mulheres que passaram toda a sua vida dedicando-se exclusivamente aos filhos. Quando eles vão embora, elas perdem o chão, sentem um enorme vazio, e não conseguem lidar com esse ritual de passagem. Esse sofrimento, às vezes devastador, acaba ganhando proporções prejudiciais à vida, quando não se consegue lidar com essa perda. A saudade pode virar angústia, crises de ansiedade e podem surgir sintomas ou adoecimento.

Há ainda um agravante para as mulheres já maduras: a menopausa. O período do climatério, culminando com a menopausa, afeta muito a mulher. As mudanças hormonais aumentam a suscetibilidade às oscilações de humor, à depressão e outros sintomas. Sua autoestima diminui e sente-se muito fragilizada emocionalmente. Nesse momento, ela precisará muito da compreensão do marido e também dos filhos. Que eles entendam que não é questão de egoísmo ou excesso de amor, é que realmente um ciclo significativo da própria vida, cheio de realizações e boas lembranças está se encerrando, e surge o medo do vácuo.

Se tanto a mãe quanto o pai se sentem realizados profissionalmente, e não estruturaram suas vidas apenas em torno dos filhos, fica muito mais fácil lidar com essa nova etapa da vida. Assim, podem enriquecer suas vidas, usufruindo da maior liberdade com passeios, viagens, cursos, danças, hobbies, ampliar a vida social, ter atividades físicas... , fazer tudo aquilo que lhes dão prazer.
Um ponto de vital importância nessa nova situação é a constatação da significativa influência e mudança na vida conjugal. Muitos conflitos aparecem quando os cônjuges só se dedicaram aos filhos e não ficaram atentos às necessidades do parceiro (a), não cultivaram a relação a dois durante toda a vida.

Com o ninho vazio, os problemas que antes estavam adormecidos, aparecem, os dois ficam muito mais expostos um para o outro. Se o casal não estiver preparado, o relacionamento complica e pode até acabar. É muito importante que cada um procure se sentir bem consigo mesmo e reconhecer seu próprio valor, antes de qualquer coisa, para depois lutar pelo relacionamento.

Faz-se necessário um resgate, investir de verdade cuidando da relação, reconstruindo a parceria e a cumplicidade. Precisa haver paciência, compreensão, apoio, companheirismo e afeto de um para o outro. Enxergar que é uma boa hora para reaquecer o relacionamento e que ambos podem se alimentar dessa troca de amor e carinho.
Solange Bittencourt Quintanilha - Psicóloga Clínica,  Psicóloga Médico-Hospitalar, Psicanalista , Psicóloga Motivacional.


4 comentários:

  1. Eu vivo a síndrome do ninho vazio, me dediquei aos meus filhos integralmente, trabalhei 6 horas quando eles ainda eram jovens, depois fui fazer a jornada completa, mas sempre tentando fazer o melhor. Sou divorciada, qdo pedi a separação cuidei e mantive eles sozinha, não tinha pensão e não queria ir atrás, queria paz. Mandei uma filha para aperfeiçoar o inglês por uma ano, ela decidiu ficar, no ano seguinte foi a outra e por final ano passado meu filho casou com uma européia e mora lá. Eu era uma executiva e me aposentei por acidente de trabalho, já não tenho a saúde que tinha e vivo com minha mãe de 82 anos, adquiri várias enfermidades, inclusive a famigerada fibromialgia, me sinto só, fui morar num bairro afastado, não enho meus amigos por perto, não imaginava que chegaria aos 56 anos assim,envelhecendo e na solidão. Tive namorados, vivi muito depois que me separei, casei muio jovem,virgem, vim grávida da lua de mel e daí foi uma escadinha com diferenças muito próximas, faço terapia, cuido da minha saúde, física, mental e espiritual, mas nada preenche esse vazio.

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  2. Hoje eu preencho minha vida de uma maneira que na minha ociosidade não me sinto nunca sozinha, tenho muitos amigos e faço dança de salão. Eu sempre fiquei preocupada com o que faria quando os filhos casassem e fossem embora, pois sou divorciada, faço ginastica, hidroginastica, viajo de vez em quando. E isso me faz conhecer novos amigos preenche minha vida de alguma maneira. A gente não se deve entregar nunca...

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  3. Tenho 51 anos e sempre achei ser mais durão que minha mulher, ou pelo menos sempre demonstrei isso. Mas depois que nossas duas filhas (de 20 e 18 anos) foram estudar fora, fui eu que acabei "balançando" mais.

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  4. Minhas filhas já são casadas e são independentes. Graças a DEUS o encontro de todos é na nossa casa e nunca senti " a síndrome do ninho vazio " ! plantei e estou colhendo com a ajuda do nosso PAI !

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