quarta-feira, 31 de julho de 2013

AFINAL, QUANTA ÁGUA DEVEMOS BEBER POR DIA?

Quantidade adequada traz benefícios aos rins, 
pele, intestinoe até ao sistema respiratório. 
Mas excesso de líquido no organismo 
pode sobrecarregar alguns órgãos.
 Na faculdade, na academia, no escritório, lá estão elas: as garrafinhas de água. Companheiras inseparáveis de alguns, elas ilustram um comportamento que virou mania: beber água, muita água. Celebridades dizem que é a receita para a beleza: garante o peso de pluma das modelos, a pele de pêssego das atrizes, a saúde invejável dos atletas. Mas será que a água é capaz de fazer tudo isso?
Ela sozinha, claro, não faz milagres. Mas é incontestável o benefício que a hidratação adequada traz ao bom funcionamento do organismo. Beber água evita problemas nos rins, ressecamento da pele, regula o intestino, elimina as toxinas e ajuda a prevenir problemas respiratórios. Embora os benefícios sejam indiscutíveis, há quem defenda que beber água demais também pode trazer implicações para a saúde.
De acordo com o nefrologista do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Rogério Andrade Mulinari, é difícil dizer a quantidade certa que uma pessoa deveria ingerir de água por dia. “É preciso lembrar que ingerimos água não apenas pura, mas na alimentação. Em sopas, leite, frutas e legumes. Algumas frutas têm 80% e até 90% de água, até mesmo as carnes têm 60% de água”, observa. Além do que vem na alimentação, o corpo produz ainda um litro de água por dia a partir de processos metabólicos. Juntando tudo que é absorvido e metabolizado, cerca de dois litros de urina são eliminados diariamente. Outro litro é perdido em decorrência de processos orgânicos, como respirar, transpirar e evacuar. “Se precisasse tirar uma média, daria para dizer que de dois a quatro copos de líquidos diariamente já seriam suficientes para manter esse equilíbrio”, afirma.
Na pele
Embora durante o inverno seja natural que as pessoas sintam menos sede, isso não significa que a necessidade de hidratação seja menor. Em épocas mais frias, são mais comuns problemas de pele, como alergias e dermatites. “O tempo seco, o frio e banhos com água muito quente acabam ressecando a pele. Transpiramos menos e por isso a pele fica mais seca”, explica a dermatologista Fabiane Brenner. Segundo ela, além de tomar água, reduzir o tempo no banho, não deixar a água tão quente, usar menos sabonete e passar hidrantes são medidas que ajudam a evitar o ressecamento.
Além de hidratar a pele, o consumo de água auxilia no bom funcionamento do intestino, evita o surgimento de cálculos renais e diminui as chances de infecções respiratórias. “Com o frio e o tempo seco, as mucosas ficam desidratadas, ressecadas, há menos produção de muco e por isso maior risco de irritação e infecções das vias respiratórias. A água ajuda a hidratar as mucosas e formar uma barreira de proteção”, esclarece o pneumologista do Hospital Vita Batel, Ricardo Alves.
Se por um lado existem todos esses argumentos a favor das companheiras garrafinhas, há estudos que contestam o consumo excessivo de água. Uma pesquisa do Centro Superior de Investigações Científicas da Espanha e do Instituto de Medicina dos Estados Unidos sugere que uma mulher adulta deveria ingerir 2,7 litros de água, enquanto que um homem deveria consumir, 3,7 litros, já incluindo todas as fontes de água. Segundo a pesquisa, pessoas de baixo peso teriam risco de “intoxicar-se” por água, se exagerassem no consumo.
A redução a níveis extremos de alguns minerais, como o sódio, provocaria tremores, confusão e perda de memória. O excesso de líquido no organismo seria capaz ainda de sobrecarregar os rins e coração. “O coração funciona como uma bomba hidráulica. Quem sofre de insuficiência cardíaca tem menos força nesse bombeamento, nesses casos, se tiver excesso de líquido no organismo o coração fica ainda mais sobrecarregado”, explica o cardiologista do Hospital do Coração, Mário Cérci. No entanto, ele esclarece que essas situações são restritas a casos de pacientes com insuficiência renal ou cardíaca. “A população em geral não deve ter problemas pelo consumo de água”, afirma.
Água com sabor
Para quem não gosta de beber pura, e abusa das águas com sabor ou gaseificadas, a nutricionista Marilize Tamanini faz um alerta. “Águas com sabor podem ser uma boa para variar, mas também não devem ser um hábito, já que são produtos adoçados e não substituem a água pura. Águas gaseificadas não são tão ruins quanto os refrigerantes, mas não devem ser consumidas em excesso”. Segundo ela, sucos naturais e chás sem cafeína são a melhor opção. “Se optar por um suco, que seja natural. Sucos artificiais têm conservantes e açúcar, e trazem mais prejuízos que benefícios”, alerta.
Garrafinhas
Para que as garrafinhas de água não passem de aliadas para inimigas da saúde, é preciso ter alguns cuidados com a higiene. De acordo com o biomédico Roberto Figueiredo, o Dr. Bactéria do quadro “Tá Limpo”, do Fantástico, é importante lavar a garrafinha todos os dias com água e sabão e trocar a água com freqüência. “Se você comprar uma garrafinha dessas que os atletas usam, é preciso lavá-la antes de usar. Ponha em uma solução de um litro de água com uma colher de sopa de água sanitária e deixe mergulhada por dez minutos. Isso vai eliminar as bactérias”, explica. Segundo o biomédico, embora a água não seja um ambiente muito atrativo para as bactérias, uma vez que não há muito alimento para elas, o contato com a boca pode ocasionar a proliferação de microorganismos. “Por isso se deve lavar o bocal, trocar a água com freqüência e não compartilhar a garrafinha com ninguém”, aconselha.
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